Gostaria de compartilhar algumas considerações sobre o tempo, para isso peço que ao ler, você pare o que estiver fazendo apenas por alguns minutos e dedique-se à leitura.
Pare e lembre-se, em seus avós, ou talvez em seus bisavós, vamos simplesmente analisar como era um dia normal de trabalho para eles. Sua vó acordava bem cedinho, por volta das 5 horas da manhã, e tinha que esquentar a água para fazer o café de toda a criançada, na época as família eram enormes, uma família comum tinha por volta de 10 filhos. Então haja água para esquentar, para fazer isso sua vó aquecia a água no bom e velho fogão a lenha. Mas para que isso pudesse acontecer, seu vô no dia anterior havia apanhado e cortado a lenha. Após o café, seu avô ia trabalhar na roça, e tinha muito trabalho; nada de colheitadeiras, ou tratores tudo isso era feito a mão. Enquanto o vô arava, plantava ou colhia o alimento, a vó juntava a roupa da criançada, e ia lavar tudo isso para lavar no rio. Mas antes disse já deixava o fogãozinho a lenha pronto para preparar o almoço, e convenhamos apesar de simples, quem provou, pode confirmar que aquela é a melhor comida do mundo. Na parte da tarde sua vó tinha que passar a roupa, e lá ia ela colocar brasa no ferro. E anoite era aquela fila de irmãos para tomar banho de bacia e caneca com a água aquecida também pelo fogão a lenha. E era sob a luz de lamparinas que o vô contava uma boa história, algo do folclore ou então alguns ensinamentos religiosos, e ao anoitecer, bem cedo, todos iam dormir.
Agora vamos pensar no que nós vivemos hoje. A tecnologia nos permite fazer as mesmas coisas que nossos avós em muito menos tempo, esquentar a água? basta ir até o micro-ondas e colocar alguns minutinhos. Nosso banho é tão agradável e nós nem valorizamos o quanto um simples chuveiro é importante. Roupas sintéticas nem precisam ser passadas, e a diversão fica por conta da televisão ou Internet.
Mas isso não é um paradoxo? como é possível? Se temos tanta praticidade, ainda nos faltar tempo?
E a falta de tempo talvez nem seja o principal problema, nos tempos antigos as pessoas eram simplesmente mais felizes. Onde está o problema?
O problema está na diferença entre a palavra e a poesia.
A palavra é a objetividade, um manual de instruções, que lhe mostra como, onde e quando o que deve ser feito, enquanto que a poesia lhe oferece recursos para viajar na sua própria interpretação.
O que há de poesia em colocar um alimento no microondas?
Mas, e ao colocar um feijão pra cozinhar no fogão a lenha?
Definitivamente, o que nos falta é um pouco mais de poesia. Não, não é necessário comprar um fogão a lenha! É apenas necessário que você dedique parte do seu dia dando observando as simples coisas da vida, que normalmente passam desapercebidas. O que eu quero dizer com isso?
Quando eu apontar para o céu, não olhe para o dedo.
Um grande abraço.

7 comentários:
Legal Diogo... mas quem pode dizer que o seu neto, por exemplo, não venha daqui a alguns anos olhar para trás e dizer, com o mesmo sentimento nostálgico/poético: "meu avô se levantava cedo, fervia água no microondas e conseguia se divertir com uma conexão de 2MBps"?
grande Diogao!! Q legal ler algo assim nos dias de hj.
Nao sei se vou conseguir escrever aqui o q penso... Estou meio travado nessas coisa. Mas vamos lá!!!
Qdo vc diz "Poesia" acho q isso está muito relacionado ao lugar onde vc vive, trabalha, convive. Quer dizer, se no seu céu vc só enxerga prédio, luzes, sirenes, enfim... Acho dificil brotar alguma poesia em um lugar extremamente sistemático e competitivo. Apesar da vida simples a informacao q eles precisavam para seguir vivendo vinha do ceu e da terra e nao do radio. O sol era importante para eles como o celular nos é como despertador. O contato com a natureza tem dessas coisas. Hj acho q nos falta mais contato e bem menos solidao. Como diz o Lenine "... mesmo quando o corpo pede um pouco mais de alma. Eu sei, a vida nao pára ...".
Olá senhores, a questão não está somente no tempo, isso não vale apenas para nossos avós ou para nossos netos, a questão é unicamente que o modo de vida que tinham apenas tinha poesia estava intuitivamente implícito em seu modo de vida. O que hoje infelizmente não é mais feito.
Quanto ao que o Pozza disse é mais ou menos por ai, na verdade a questão poética está disponível a todo momento, o que nos falta mesmo é aproveitar.
Abraços, e obrigado pelos comentários.
Noooooossa, arrasou.
Já pensei nisso, e depois de tanta tecnoligia, reclamamos, é dificil ouvir avós reclamando daquela época.
Adoreeeeeeei :*
Parabéns Diogo,
Faço minhas as suas palavras!
Abração velho.
Oi Dí! ^^
Pois é, hoje em dia as pessoas tornaram-se máquinas, todas ligadas no automático, a beleza de viver e a concentração no agora está perdida, estamos todos pensando em ontem ou fazendo algo e pensando no que faremos amanhã... Este é o preço de tanta praticidade. Ao invés de sobrar tempo, falta ainda mais tempo... Por que? Oras, se prestassemos mais atenção no que fazemos, daria a impressão de demorar muito mais, só que nos sentiríamos intensamente vivos!...
Olha Diogo achei um vídeo sobre isso: http://www.youtube.com/watch?v=3boVVvLo3is
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